“O
professor não ensina, ajuda o aluno a aprender” (Lauro de Oliveira Lima).
Jean Piaget foi um dos grandes nomes relacionados aos estudos e
compreensão do desenvolvimento e do conhecimento humano. Seus estudos buscavam desvendar e explicar como se desenvolve a
inteligência no homem, sendo nomeada sua ciência de Epistemologia genética,
vista como um estudo, uma análise de como se dá o aumento do conhecimento.
Trabalhou muito com a educação humana e suas possíveis formas de assimilação.
(...) Principais objetivos da educação: formação de
homens "criativos, inventivos e descobridores", de pessoas críticas e
ativas, e na busca constante da construção da autonomia.
Devemos lembrar que
Piaget não propõe um método de ensino, mas, ao contrário, elabora uma teoria do
conhecimento e desenvolve muitas investigações cujos resultados são utilizados
por psicólogos e pedagogos. Desse modo, suas pesquisas recebem diversas
interpretações que se concretizam em propostas didáticas também diversas.
Implicações do
pensamento piagetiano para a aprendizagem.
·
Os objetivos pedagógicos necessitam estar centrado no aluno, partir das
atividades do aluno.
·
Os conteúdos não são concebidos como fins em si mesmos, mas como
instrumentos que servem ao desenvolvimento evolutivo natural.
·
Primazia de um método que leve ao descobrimento por parte do aluno ao
invés de receber passivamente através do professor.
·
A aprendizagem é um processo construído internamente.
·
A aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito.
·
A aprendizagem é um processo de reorganização cognitiva.
·
Os conflitos cognitivos são importantes para o desenvolvimento da
aprendizagem.
·
A interação social favorece a aprendizagem.
·
As experiências de aprendizagem necessitam estruturar-se de modo a privilegiarem
a colaboração, a cooperação e intercâmbio de pontos de vista na busca conjunta
do conhecimento.
A educação na
visão Piagetiana: com base nesses
pressupostos, a educação deve possibilitar à criança um desenvolvimento
amplo e dinâmico desde o período sensório- motor até o operatório abstrato. A escola
deve partir dos esquemas de assimilação da criança, propondo
atividades desafiadoras que provoquem desequilíbrios e reequilibrações
sucessivas, promovendo a descoberta e a construção do conhecimento.
Para Piaget, a
criança é concebida como um ser dinâmico, que a todo momento interage com a
realidade, operando ativamente com objetos e pessoas. Essa interação com o
ambiente faz com que construa estruturas mentais e adquira maneiras de fazê-las
funcionar. O eixo central, portanto, é a interação organismo-meio e essa
interação acontece através de dois processos simultâneos: a
organização interna e a adaptação ao meio, funções exercidas
pelo organismo ao longo da vida.
A adaptação, definida por Piaget, como o próprio
desenvolvimento da inteligência ocorre através da assimilação e acomodação.
Os esquemas de assimilação vão se modificando, configurando os estágios de
desenvolvimento.
Considera, ainda,
que o processo de desenvolvimento é influenciado por fatores
como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação
(funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), aprendizagem
social (aquisição de valores, linguagem, costumes e
padrões culturais e sociais) e equilibração (processo de auto
regulação interna do organismo, que se constitui na busca sucessiva de
reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido).
A importância de se definir os períodos de
desenvolvimento da inteligência reside no fato de que, em cada um, o indivíduo
adquire novos conhecimentos ou estratégias de sobrevivência, de compreensão e
interpretação da realidade. A
compreensão deste processo é fundamental para que os professores possam também
compreender com quem estão trabalhando.
Estágios do desenvolvimento humano
Piaget considera 4
períodos no processo evolutivo da espécie humana que são caracterizados
"por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no decorrer das
diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento. São eles:
1º período:
Sensório-motor
(0 a 2 anos)
2º período:
Pré-operatório
(2 a 7 anos)
3º período: Operações
concretas (7 a 11 ou 12 anos)
4º período:
Operações formais (11 ou 12
anos em diante)
Cada uma dessas fases é caracterizada por formas
diferentes de organização mental que possibilitam as diferentes maneiras do
indivíduo relacionar-se com a realidade que o rodeia. De uma forma geral, todos
os indivíduos vivenciam essas 4 fases na mesma seqüência, porém o início e o
término de cada uma delas pode sofrer variações em função das características
da estrutura biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulos
proporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido. Por isso mesmo é
que "a divisão nessas faixas etárias é uma referência, e não uma norma
rígida (...)".
Disponível em: http://piaget.infoedu.zip.net/
PSICOPEDAGOGIA
É a área de estudo dos processos e das dificuldades de aprendizagem de
crianças, adolescentes e adultos. O psicopedagogo identifica as
dificuldades e os transtornos que impedem o estudante de assimilar o
conteúdo ensinado na escola. Para isso, faz uso de conhecimentos da
pedagogia, da psicanálise, da psicologia e da antropologia. Analisa o
comportamento do aluno, observando como ele aprende. Promove
intervenções em caso de fracasso ou de evasão escolar. Além de trabalhar
em escolas, pode atuar em hospitais, auxiliando os pacientes a manter
contato com os conteúdos escolares. Pode trabalhar também em centros
comunitários ou em consultório, público ou particular, orientando
estudantes e seus familiares no processo de aprendizagem (Disponível em:http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/ciencias-humanas-sociais/psicopedagogia-688126.shtml).