segunda-feira, 12 de agosto de 2013

PSICOLOGIA CÊNICA e da DANÇA: “MATOLÃO”

A Psicologia Cênica é resultante do grande encontro da Arte, da Sociedade e do Ensino. Nesse tripé, entram o apreciar a paisagem social e o contextualizar suas mínimas relações. No apreciar se encontram o descrever, o interpretar e o julgar as atitudes, enquanto que no contextualizar temos as diversas áreas do conhecimento através dos quais estas ações podem ser analisadas. Seja do ponto de vista histórico, social, politico, econômico ou cultural, essas relações passam por processos de criação, transformação, construção e reconstrução através também da Dança-educação, um vasto campo criativo e de inúmeras possibilidades de criação e interpretação. O corpo, o espaço e as dinâmicas são características marcantes nesse processo, envolvendo aspectos socioculturais, socioambientais e cênicos. É dançando que se aprende e se ensina a dançar e também a interpretar a sociedade.

"MATOLÃO"
A performance “Matolão” é um trabalho coreográfico resultante da disciplina Psicologia aplicada a Dança, ministrada pela Prof.ª Mayrla Andrade, no 3º semestre do curso Licenciatura em Dança (turma 2012) da Escola de Teatro e Dança da UFPA. O trabalho foi apresentado ao público durante a programação do II Encontro Paraense de Contato Improvisação, em julho de 2013, Belém-PA. Intérpretes-criadores: Rafael Ferreira, Lilian Raiol, Fernando Nunes, Kate Karolina de Paiva, Larissa Ferreira e Raí Gonçalves (Imagem abaixo).
RELEASE: Baseados nas análises do quadro "Os retirantes", de Cândido Portinari, o grupo apresenta seu trabalho dialogando com os pensadores Karl Marx e Hegel, nomes importantes da Psicologia social. Pobreza, miséria, seca, fome, taxa de natalidade e a fé percorrem a vida de "retirantes" que buscam uma vida social digna, ao mesmo tempo em que ocorrem deslumbramentos em relação às metrópoles, o que norteia uma série de reflexões plausíveis a nossa realidade social. A trilha de O rappa, "Súplica nordestina", e de Luís Gonzaga, "Pau-de-arara", intensificam a nossa reflexão filosófica, empírica e "materialista" sobre o ser, as coisas e o mundo como um todo, as mazelas, a intensiva luta de classes, a opressão e o oprimido. As composições coreográficas fixam (não literalmente) a ideia psicológica sobre a realidade social dos nordestinos da região do agreste, semiárido, que ao mesmo tempo é tão particular e refletem em outras realidades como, por exemplo, os haitianos, os etíopes, os dalits indianos. A proposta, por fim, executa uma idéia de não impregnação de quaisquer técnicas para a criação, mas sim despertar dentro dos corpos-bailarinos a realidade que cada um vê acerca dessas mazelas sociais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário