A Psicologia
Cênica é resultante do grande encontro da Arte, da Sociedade e do Ensino. Nesse
tripé, entram o apreciar a paisagem social e o contextualizar suas mínimas
relações. No apreciar se encontram o descrever, o interpretar e o julgar as
atitudes, enquanto que no contextualizar temos as diversas áreas do
conhecimento através dos quais estas ações podem ser analisadas. Seja do ponto
de vista histórico, social, politico, econômico ou cultural, essas relações
passam por processos de criação, transformação, construção e reconstrução
através também da Dança-educação, um vasto campo criativo e de inúmeras
possibilidades de criação e interpretação. O corpo, o espaço e as dinâmicas são
características marcantes nesse processo, envolvendo aspectos socioculturais,
socioambientais e cênicos. É dançando que se aprende e se ensina a dançar e
também a interpretar a sociedade.
"MATOLÃO"
A performance “Matolão” é um trabalho
coreográfico resultante da disciplina Psicologia aplicada a Dança, ministrada
pela Prof.ª Mayrla Andrade, no 3º semestre do curso Licenciatura em Dança
(turma 2012) da Escola de Teatro e Dança da UFPA. O trabalho foi apresentado ao
público durante a programação do II Encontro Paraense de Contato Improvisação,
em julho de 2013, Belém-PA. Intérpretes-criadores: Rafael Ferreira, Lilian
Raiol, Fernando Nunes, Kate Karolina de Paiva, Larissa Ferreira e Raí
Gonçalves (Imagem abaixo).
RELEASE: Baseados nas análises do quadro "Os
retirantes", de Cândido Portinari, o grupo apresenta seu trabalho
dialogando com os pensadores Karl Marx e Hegel, nomes importantes da Psicologia
social. Pobreza, miséria, seca, fome, taxa de natalidade e a fé percorrem a
vida de "retirantes" que buscam uma vida social digna, ao mesmo tempo
em que ocorrem deslumbramentos em relação às metrópoles, o que norteia uma
série de reflexões plausíveis a nossa realidade social. A trilha de O rappa,
"Súplica nordestina", e de Luís Gonzaga, "Pau-de-arara",
intensificam a nossa reflexão filosófica, empírica e "materialista"
sobre o ser, as coisas e o mundo como um todo, as mazelas, a intensiva luta de
classes, a opressão e o oprimido. As composições coreográficas fixam (não
literalmente) a ideia psicológica sobre a realidade social dos nordestinos da
região do agreste, semiárido, que ao mesmo tempo é tão particular e refletem em
outras realidades como, por exemplo, os haitianos, os etíopes, os dalits
indianos. A proposta, por fim, executa uma idéia de não impregnação de
quaisquer técnicas para a criação, mas sim despertar dentro dos
corpos-bailarinos a realidade que cada um vê acerca dessas mazelas sociais.



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